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Cossoul Rebobinando / 21:00 - 22:00
Voz Online

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Laura e Daniel são dois solitários.
Trocaram olhares furtivos durante a festa e agora, depois de toda a gente se ter ido embora, estão frente a frente, sem saber como começar.
Aproximam-se, hesitam, afastam-se, voltam a aproximar-se.
Já sofreram desgostos, mas ainda querem acreditar. Entre silêncios, desentendimentos e confissões, atravessam juntos aquela noite no frágil equilíbrio de quem procura com medo e desejo de encontrar.
Começar apresenta-se como uma história de amor dos nossos dias, um encontro cara a cara de um homem e de uma mulher que se tentam conhecer sem as máscaras, os filtros e as defesas que os encontros digitais proporcionam.

COMEÇAR
David Eldridge
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VERSÃO
João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
DRAMATURGIA
Vera San Payo de Lemos
ENCENAÇÃO E CENÁRIO
João Lourenço
VÍDEO
João Lourenço | Nuno Neves
FIGURINOS
Lia Freitas
COM
Cleia Almeida | Pedro Laginha

E é já na próxima semana que estreia LUA AMARELA de David Greig, no Teatro da Politécnica, na 4ª 10 de Novembro.
LUA AMARELA de David Greig Tradução Pedro Marques Com Gonçalo Norton, Rita Rocha Silva, Paulo Pinto e Inês Pereira Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Música Rui Rebelo Assistente Pedro Cruzeiro Encenação Pedro Carraca A Classificar pela CCE
Teatro da Politécnica de 10 de Novembro a 18 de Dezembro
3ª a Sáb. às 19h00

A polícia conhece-o, a segurança social, as crianças, o professor dos ATL da escola, o pessoal auxiliar, o médico, o conselho comunitário e os jovens trabalhadores do clube juvenil da Igreja, toda a gente conhece o Macho Lee.

David Greig, Lua Amarela
São dois adolescentes em fuga. Ela, Leila, é uma garota introvertida apaixonada por revistas de celebridades, ele o mais morto dos rapazes, sem qualquer saída, numa cidade sem saída. E é uma balada, a balada de Lee e Leila.

Fotografia © Jorge Gonçalves

Teatro da Politécnica de 10 de Novembro a 18 de Dezembro
3ª a Sáb. às 19h00

O novo álbum de Camané, "Horas Vazias", inclui poemas de Amália Rodrigues, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa, Jorge Palma, Júlio Dinis, Pedro Abrunhosa, entre outros. Este disco sucede ao álbum "Aqui Está-se Sossegado" (2019) que o fadista gravou com o pianista Mário Laginha.
Este é o primeiro álbum de Camané sem a direção do músico José Mário Branco, falecido em novembro de 2019, que todavia marca presença, assinando a música para um poema inédito de Amália Rodrigues, "Tenho Dois Corações".
A produção do álbum é do músico de jazz Pedro Moreira, o que levou à introdução do saxofone de Ricardo Toscano, do acordeão de João Barradas, e de um sexteto de cordas, mas também a contar com o contrabaixista Carlos Bica, que há muito faz parte da equipa de músicos de Camané.

Gravado no primeiro semestre, o disco 'Meu coco' tem os toques de músicos como Marcelo Costa, Mestrinho e Vinicius Cantuária. Aborda temas que vão desde a Internet e os algoritmos até à cultura atual.
E se em “Anjos Tronchos”, o primeiro single, ouvimos o artista cantar sobre a realidade global imposta pelos “anjos tronchos do Vale do Silício” e Billie Eilish “fazendo tudo do quarto com o irmão”, em “Sem Samba Não Dá” os citados são brasileiríssimos.
Ao falar sobre seu novo disco, o artista considerado por muitos como o mais influente da história da música brasileira não mediu palavras para explicar tudo que o influenciou, como você pode ler abaixo:

"Muitas vezes sinto que já fiz canções demais. Falta de rigor?, negligência crítica? Deve ser. Mas acontece que desde a infância amo as canções populares inclusive por sua fácil proliferação. Quem gosta de canções gosta de quantidade. Do rádio da meninice, passando pela TV Record e a MTV dos começos, até o TVZ no canal Multishow de agora, encanta-me a multiplicidade de pequenas peças musicais cantadas, mesmo se elas surgem a um tempo redundantes e caóticas. Há nove anos que eu não lanço álbum com canções inéditas. No final de 2019, tive um desejo intenso de gravar coisas novas e minhas. Tudo partiu de uma batida no violão que me pareceu esboçar algo que (se eu realizasse como sonhava) soaria original a qualquer ouvido em qualquer lugar do mundo. ‘Meu Coco’, a canção, nasceu disso e, trazendo sobre o esboço rítmico uma melodia em que se história a escolha de nomes para mulheres brasileiras, cortava uma batida de samba em células simplificadas e duras. Minha esperança era achar os timbres certos para fazer desse riff sonhado uma novidade concreta. E eu tinha a certeza de que a batida, seu som e sua função só se formatariam definitivamente se dançarinos do Balé Folclórico da Bahia criassem gestos sobre o que estava esboçado no violão. Com isso eu descobriria o timbre e o resto. Mas chegou 2020, o coronavírus ganhou nome de Covid-19 e eu fiquei preso no Rio, adiando a ida à Bahia para falar com os dançarinos. Esperaria alguns meses?

Passou-se mais de ano e eu, tendo composto canções que pareciam nascer de ‘Meu Coco’, precisei começar a gravar no estúdio caseiro. Chamei Lucas Nunes pra começar os trabalhos. Ele é muito musical e também é capaz de comandar uma mesa de gravação. Começamos por ‘Meu Coco’, de que ‘Enzo Gabriel’ é uma espécie de península: seu tema (seu título) é o nome mais escolhido para registrar recém-nascidos brasileiros nos anos 2018 e 2019. À medida que vou fazendo novas canções, me prometo pesquisar a razão de, na minha geração e mesmo antes dela, nomes ingleses de presidentes americanos terem sido escolhidos por gente simples e pouco letrada, principalmente preta, para batizar seus filhos: Jefferson, Jackson, Washington – assim como Wellington, William, Hudson – eram os nomes preferidos dos pais negros e pobres brasileiros. Ainda não fiz nenhum movimento nesse sentido, mas ter esse disco pronto e estar empenhado em lançá-lo me leva a certificar-me de que farei a pesquisa, como se fosse um sociólogo, assim como ter feito ‘Anjos Tronchos’, canção reflexiva que trata da onda tecnológica que nos deu laptops, smartphones e a internet, me faz prometer-me ler mais sobre o assunto.

Cada faixa do novo álbum tem vida própria e intensa. Se ‘Anjos Tronchos’ tem sonoridade semelhante à de Abraçaço, o último disco que fiz antes deste, ‘Sem Samba Não Dá’ soa à Pretinho da Serrinha: uma base de samba tocada por quem sabe – e a sanfona de Mestrinho, que comenta as fusões de música sertaneja com samba tradicional. Uma discussão sobre o (não) uso da palavra ‘você’ pela brilhante jovem fadista Carminho virou o fado midatlântico ‘Você-Você’, que ela terminou cantando comigo – e ganhou bandolim sábio de Hamilton de Holanda fazendo as vezes de guitarra portuguesa. Há ‘Não Vou Deixar’, com célula de base de rap criada no piano por Lucas e letra de rejeição da opressão política escrita em tom de conversa amorosa. ‘Pardo’, cujo título já sugere observação do uso das palavras na discussão de hoje da questão racial, teve arranjo de Letieres Leite, baiano, sobre a percussão carioca de Marcelo Costa. ‘Cobre’, canção de amor romântico, fala da cor da pele que compete com o reflexo do sol no mar do fim de tarde do Porto da Barra. Jaques Morelenbaum, romântico incurável, veio orquestrá-la. Mas também tratou de ‘Ciclâmen do Líbano’, com fraseado do médio-oriente salpicado de Webern. Devo Lucas a meu filho Tom: os dois fazem parte da banda Dônica; devo a atenção a novas perspectivas críticas a meu filho Zeca; devo a intensa beleza da faixa ‘GilGal’ a meu filho Moreno: ele fez a batida de candomblé para eu pôr melodia e letra que já se esboçava mas que só ganhou forma sobre a percussão. E eu a canto com a extraordinariamente talentosa Dora Morelenbaum."

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