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Carlos Cerqueira Novidades fora de portas / 18:00 - 19:00
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«Todo o futuro é fabuloso», escreve Alejo Carpentier. Será? E será uma fábula feliz ou uma efabulação quimérica? A resposta está no presente, aquele que hoje vivemos, que é o de uma sociedade de medo.
Foi isto que desaprendemos com a pandemia: o medo dos outros ou de nós próprios fechou-nos numa vida em zapping, mergulhou-nos em identidades ilusórias no Facebook, avassalou-nos com imagens dominadas pelo tribalismo, seja de religiões fanatizadoras, seja de supremacismo agressivo.
O nosso mundo está a mudar e ressurgem fantasmas do passado, a necropolítica, que usa a destruição como normalização, e a bufonaria, que eleva títeres ao poder fazendo com que, como adivinhava Foucault, «o grotesco seja um dos procedimentos essenciais da soberania arbitrária».
O Futuro Já Não É o Que Nunca Foi discute esta modernidade destroçada. Mostra como o predomínio da intoxicação nas redes sociais constitui uma tecnologia da razão sonâmbula, com um regime de avalancha que esgota a informação e que se constitui como arma do capitalismo tardio, com a plataformização do trabalho e a vigilância dos dados da nossa vida.
Tornámo-nos cobaias do maior espaço social que existe, sem regras que não sejam as da privatização por um mercado totalitário, e é nele que nasce a agressividade da extrema-direita trumpista, ou da multidão dos seus seguidores.
A resposta, urgente, é a luta pela democracia como força emancipatória e como responsabilidade social. Este livro propõe-lhe que nem espere nem desespere: é no presente que definimos a nossa vida.

O futebol é um jogo, uma paixão, uma forma de agregação social, um negócio; e, portanto, também uma ferramenta eficaz para o controlo sobre as massas. Graças à sua capacidade incomparável de criar mitos, ao seu épico intrínseco, este desporto tem sido explorado desde o seu início como uma arma de propaganda ideológica e, mais recentemente, comercial. Os primeiros a perceber seu imenso poder foram talvez os regimes totalitários do século XX, que, na sua ânsia de permear todas as camadas da sociedade, usaram essa disciplina popular como um rudimentar, mas poderoso, instrumento de marketing político. Estas páginas reúnem os episódios mais significativos desta perturbadora simbiose entre o futebol e as ditaduras fascistas; anedotas, feitos - às vezes trágicos e outros bizarros - em que o futebol tem sido usado como venda para cobrir os olhos das pessoas ou como um veículo de doutrinação dentro da estrutura de projetos de propaganda delirantes, concebidos por megalómanos despóticos de todo o mundo.


CRISTÓBAL VILLALOBOS SALAS
É um professor de História, escritor e colunista espanhol. Escreve Atualmente para o jornal Sur e colabora com meios de comunicação como El Norte de Castilla, Zenda, ABC, Panenka, El Español, The Objective ou Jot Down. Foi distinguido no âmbito do Prémio Augusto Jerez Perchet de Jornalismo.

Boaventura de Sousa Santos é um dos mais prestigiados cientistas sociais da atualidade, uma das principais vozes na reinvenção da emancipação social e nome de referência mundial nos estudos da sociologia do direito. No entanto, nem todos conhecem tão bem sua produção poética. 139 epigramas para sentimentalizar pedras é seu décimo e o mais novo livro de poesia, publicado pela editora Poética Edições, para completar quase cinquenta anos de encantamento com as palavras. Nele, Boaventura grita contra a submissão do homem às grandes estruturas sociais e economicas, dando às pedras, as únicas que pensam longamente, conselhos para que não sejam usadas para ferir, mas que sejam libertas, que se sentimentalizem. Ou, ao menos, que não pensem em suicídio, como às vezes fazem os poetas.

estou a verter
uma humidade estranha solta-se dos meus passos
deixa um rastro embaraçante

fui construído para uma lógica estanque
de repente incontinente

deixou de haver lugar para ovos simples e pepinos úteis

sinto-me afectado pelas impurezas da alegria
refugio-me em bordéis desabitados
é preciso começar tudo de novo

ninguém me sabe denunciar tão bem quanto eu

Mundo | ANA LUÍSA AMARAL

in Livros
novembro 06, 2021

Tecendo o fio que liga o texto à vida, Ana Luísa Amaral convoca-nos para uma paisagem de sons ao compasso dos cheiros, cores que constituem este Mundo: a abelha e a flor em descanso, a mesa e a faca pousada, ou as gentes e as suas interrogações.

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