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25 anos sem Mário Viegas

By Publicado março 31, 2021

Mário Viegas faleceu a 1 de abril de 1996, precisamente há 25 anos, tinha então 47 anos de idade. Nasceu a 10 de novembro de 1948, em Santarém, considerado como o maior ator do pós-25 de abril.

Aos 15 anos, já fazia teatro amador. Após ter frequentado a Faculdade de Letras e o Conservatório Nacional em Lisboa, estreou-se no Teatro Experimental de Cascais (TEC). Em 1969 ingressou no Teatro Universitário do Porto e em 1970 regressou ao TEC. Começou a ser conhecido como declamador, tendo gravado diversos discos.
Iniciou-se no cinema em 1975 com a curta-metragem O Funeral do Patrão. Foi um dos elementos fundadores do grupo A Barraca, em 1976. Aqui, assinaria um dos papéis mais inesquecíveis da sua carreira teatral: D. João VI (1979), que lhe valeu o prémio de melhor ator no Festival de Teatro de Sitges.
Cinematograficamente, foi um dos «atores-fétiche» de José Fonseca e Costa, com quem trabalharia em Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991). Trabalhou ainda sob a orientação de Artur Semedo em O Rei das Berlengas (1978), de Manoel de Oliveira em A Divina Comédia (1991) e de Roberto Faenza em Afirma Pereira (1996).
Fez também televisão, apresentando os programas Palavras Ditas (1986) e Palavras Vivas (1990), onde declamou poemas de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, António Nobre, Cesário Verde e Pablo Neruda. Mas foi no teatro que atingiu os seus maiores momentos: em 1991, fundou a Companhia Teatral do Chiado onde o seu maior sucesso viria a ser Europa Não! Portugal Nunca! (1995).
Paralelamente, tentou uma carreira política: nas Legislativas de 1995 integrou as listas da UDP e no mesmo ano anunciou a sua candidatura à Presidência da República, com o slogan «O Sonho ao Poder», obtendo algum feedback entre a classe universitária lisboeta. No entanto, a síndrome da imunodeficiência adquirida, da qual viria a falecer, acabaria por inviabilizar a sua ida às urnas.
Pela sua carreira e méritos artísticos foi várias vezes premiado por diferentes entidades culturais, como, por exemplo, pela Casa da Imprensa, pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Secretaria de Estado da Cultura. Em 1993 foi agraciado com a Medalha de Mérito da cidade de Santarém e, em 1994, recebeu, pelas mãos do então Presidente da República Portuguesa, Dr. Mário Soares, a comenda da Ordem do Infante D. Henrique.Poucos dias antes de se assinalar o desaparecimento de Mário Viegas, foi tornado público a existência de várias gravações inéditas suas, feitas em 1969 para um médico de Vila Real levar consigo para a guerra colonial, foram agora reveladas e estão a ser editadas para um audiolivro que deverá ser publicado em maio.

Gravações inéditas de Mário Viegas levadas para a guerra, descobertas e editadas
O médico Jorge Leite Ginja, que morreu no ano passado, deixou numa gaveta gravações feitas por Mário Viegas de dois excertos de teatro e 40 poemas, 29 dos quais inéditos, conta Hélia Viegas, irmã do ator e declamador português, que morreu há 25 anos.
Os poetas mais representados nas gravações são Manuel Alegre, Alexandre O’Neill e Ary dos Santos, mas há também António Gedeão, Armindo Rodrigues, Bertolt Brecht, Guerra Junqueiro, Joaquim Namorado, José Gomes Ferreira, Pablo Neruda, Sebastião da Gama, e um “pequeno poema de Gastão Cruz para fechar a fita, que poderá ter sido dito de memória”, revelou à Lusa a filha do médico, que foi quem encontrou as fitas magnéticas na gaveta do pai.
Há ainda gravações de dois excertos de peças de teatro de Gorki e de Tchekhov, uma com cerca de 10 minutos e outra com 13 minutos, indicou José Moças, diretor da editora discográfica Tradisom, que está a tratar da edição do audiolivro, previsto sair em maio.
De acordo com o diretor da Tradisom, a digitalização está feita e é praticamente garantido o apoio ao projeto pela Direção Regional da Cultura do Norte.
Segundo disse à Lusa, José Moças responsável pela Tradison, estão “a trabalhar no livro e a acelerar o processo a ver se sai em maio”.
O audiolivro irá reunir os poemas em texto e tem dois CD, um com a poesia e outro com o teatro, que totalizam perto de 90 minutos de gravação, explicou o diretor da Tradisom, adiantando estar a pensar fazer mais qualquer coisa diferente, como ter códigos QR, que “deem a perspetiva às pessoas do que aconteceu, a gravação na sua origem, pura e dura”, mas isso ainda está a ser estudado.
Recordamos que a Tradison, entre outros trabalhos, é a responsável pela divulgação no formato livro/disco de duas gravações inéditas de José Afonso.

Read 192 times Last modified on quinta-feira, 01 abril 2021 23:51
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