Em Cenas da Vida Conjugal, Rita Calçada Bastos reflete sobre este tempo em que o que parece ser a realidade a maior parte das vezes não é. Não passa de uma lente que traduz o presente, em que cada um tem a sua visão, a sua noção de verdade, a sua imagem do outro, mas não passa de uma breve noção à medida daquilo que sabemos. “Ser, na sua totalidade, está cheio de coisas feias e magras e comezinhas, e isso nós habitualmente não mostramos, queremos mesmo esconder, empenhamo-nos seriamente nessa empresa. Esconder de nós e sobretudo do outro, da sociedade”, diz.
No texto de Ingmar Bergman encontrou essa impossibilidade de ser total, essa dificuldade de suportar a realidade tal como ela deveria ser e essa crueldade da relação com o outro. “Vivemos comandados pelos nossos fantasmas e a nossa realidade não passa disso, de uma projeção”, continua. A partir de um jogo de atores puro e duro, cria um diálogo entre Teatro – aquilo que quer que se veja e o que quer esconder – e Cinema (a cargo de João Canijo) – aquilo que aparenta ser real e o que não passa de uma projeção.

FICHA ARTÍSTICA
ENCENAÇÃO Rita Calçada Bastos
INTERPRETAÇÃO Katrin Kaasa e Ivo Canelas
DESENHO DE LUZ Paulo Santos
VÍDEO João Canijo
FIGURINOS Filipe Faísca
CENOGRAFIA Fernando Alvarez
MÚSICA E ESPAÇO SONORO Hugo Neves Reis
TRADUÇÃO Katrin Kaasa
PRODUÇÃO EXECUTIVA Raul Ribeiro
PRODUÇÃO Close2Paradise

Era uma vez, num espaço e num tempo incerto, algures na evolução do rato para o homem, um ser fechado no seu próprio labirinto. O encenador Ricardo Neves-Neves e o performer e clown Rui Paixão juntam-se pela primeira vez e criam um espetáculo sem texto, carregado de efeitos sonoros e visuais. No palco, levam-nos para um universo retro-futurista, em tons de verde-jardim, onde não faltam estátuas renascentistas, mas também polvos gigantes, enxames de abelhas, corujas assustadoras e aspiradores endiabrados. Entre o riso e o terror, entre o nonsense e o sentido da vida, entre o teatro, a dança e a performance, Hamster Clown fala de sonhos e de pesadelos, de confinamentos e de libertações. E pouco interessa se somos homens ou ratos – ali acabamos todos esfolados.

ENCENAÇÃO Ricardo Neves-Neves
INTERPRETAÇÃO Rui Paixão

Uma Casa de Bonecas, escrita em 1879 pelo autor norueguês Henrik Ibsen, é uma das mais importantes peças da história da literatura, unanimemente considerada como o texto que dá origem ao drama moderno. A acção acompanha a relação do casal Helmer, principalmente a “viagem” interior que a mulher, Nora, percorre ao longo dos três actos e que a faz tomar consciência que a aparência da perfeição e da felicidade não são a perfeição e a felicidade. Peça feminista, psicológica, revolucionária, são muitos os adjectivos que podem classificar Uma Casa de Bonecas, mas talvez a forma mais simples de a descrever seja aquela que o próprio autor usou, dizendo que a escreveu: «não como uma peça de propaganda mas sim de verdades universais sobre a identidade humana».

De Henrik Ibsen
Tradução Miguel Graça
Dramaturgia João de Brito e Miguel Graça
Encenação João de Brito
Com Bruno Bernardo, Diana Nicolau, Inês Ferreira da Silva, José Mata, Luís Lobão e Madalena Almeida
Cenografia Carla Martinez
Figurinos José António Tenente
Desenho de luz José Álvaro Correia
Música Tomás Alves
Fotografia e vídeo Diogo Simão
Assistência de encenação Inês Ferreira da Silva
Coprodução Teatro da Trindade INATEL e LAMA Teatro

A CIRCULARIDADE DO QUADRADO de Dimítris Dimitriádis Tradução José António Costa Ideias Com Hugo Tourita, Antónia Terrinha, Inês Pereira, Pedro Caeiro, Nuno Pardal, Simon Frankel, Bruno Vicente, Nuno Gonçalo Rodrigues e Vânia Rodrigues Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M16
No CCB – Centro Cultural de Belém de 17 a 20 Junho
5ª a Sáb. às 19h00 | Dom. às 16h00
No Teatro da Politécnica de 23 de Junho a 17 de Julho
3ª a Sáb. às 19h00
Queremos sempre algo que não existe. Nunca nos satisfazemos com o que é. É esse o nosso erro, mas não há como evitá-lo. Está na nossa natureza. Deitamos as nossas vidas fora assim, mas não há outra maneira de as tornar nossas.

Dimítris Dimitriádis, A Circularidade do Quadrado
A Circularidade que o dramaturgo dedica “àqueles que vivem” é uma equação erótica de paixão e desespero que apresenta onze pessoas de diferentes géneros, gerações e preferências sexuais que partilham uma necessidade irresistível: ser amadas. A Circularidade do Quadrado expressa a inevitabilidade da nossa existência quando empurra os seus heróis para o limite, colocando-os a incendiar-se e matar-se mutuamente apenas para ressuscitá-los um pouco depois com uma única e partilhada esperança: que talvez desta vez encontrem o amor.

Jorge Silva Melo

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